
Sabe o que é?
Depois do final da novela das oito, quando todos os vilões tiveram finais felizes, eu não quero mais ser boazinha, definitivamente! (algum dia eu fui?)
A vilã-mor (vulgo, Maria Sílvia Barreto Pessoa de Moraes), tentou matar aquele menino feio (Renato) afogado, enforcado, no tiro, enfim, fez todas as maldades e atrocidades possíveis e terminou muito melhor do que a mocinha (Maria Paula cara-de-sonsa). Sim, porque viveu "feliz pra sempre" com um marido lindo-rico e um amante pobre-fogoso em Paris. PARIS gente! Ou seja, a Rede Globo acabou com aquela lição moral "final-de-trama" que sempre diz que o crime não compensa. Compensa sim, oras!
(eu sei que já faz quase uma semana que a novela terminou e eu estou com a temática um pouco atrasada, mas é que comecei a escrever isso segunda-feira e parei)
Mas o que eu ia dizendo é que de nada vale tentar ser boa gente, cultivar sentimentos nobres, trabalhar dignamente, ser honrado, fiel e todas essas coisas bonitinhas porque no final bonzinho só se fode.
É... *Empolga*, vamos ser maus, matar pessoas, roubar bolsa de velhinhos, acabar com festas infantis, estorquir gringos e velhos ricos, ter duzentos amantes, ganhar presentes caros (perfumes importados, roupas de marca, viagens, cruzeiros, carros e afins), roubar doce de criancinhas, fumar cigarros pretos, atirar pedras em passarinhos, fazer pacto com o capeta. (???)
MENTIRA gente, não é nada disso que eu vim falar...
Mas é verdade que eu sempre gostei mais da galerinha do mal. Sim, já repararam como os vilões sempre tem um senso de humor blasé, cheio de tiradas satíricas-irônicas, tem senso crítico e são sempre muito, mas muito mais bonitos e bem vestidos que os mocinhos?
Cara, eu sempre pensei assim desde que assistia
Carrossel na infância. Aquele bando de criança chata-melosa-indecente e puxa-saco da professora Helena e a vilãzinha já era diva. A mais bonita... Como esquecer
Maria Joaquina? Impossível!
Depois mergulhei na atmosfera do SBT e virei praticamente sócia da
Televisa. O que o sr
Senor Abravanel comprasse de dramalhão mexicano, eu vidrava os olhos e nem piscava.
Tá, é cafonaaa, bregaaa, podreee... Mas não existe nenhum lugar no mundo em que se fabriquem vilões melhor do que no México.
São praticamente super-heróis do mal. Claro, as mulheres sempre mais inteligentes, articuladas e frias que os homens e, quase sempre, são elas as mentoras que os articulam. Mulheres lindas, super maqueadas, com roupas de prostituta de luxo, cabelos, cílios e unhas impecáveis (lê-se postiços), uma frieza incalculável e uma falta de humanidade implacável. Se são más, são pééééssimas de acordo. Não existe meio-termo. No México, quando a personagem é vilã, chega ao extremo de passar suas horas vagas esmagando formiguinhas inocentes, e em outros momentos mandar explodir o mundo e se aliar ao capeta. É tudo ou nada! A-DO-RO!
As mocinhas sempre com suas caras de Sandy (virgens songa-mongas), reputação de Madre Teresa (quase dá pra canonizar), uma propensão incrível pra serem otárias e um ar de inocência que dá até tédio de olhar.
Enfim, eu prefiro o lado mau, que vive feliz a trama inteira, se dando bem e desfrutando do melhor da vida, do que o lado bom, triste, que come o pão-que-o-diabo-amassou e só é feliz no último dia da novela, e assim mesmo, a gente nunca vê a felicidade deles porque nunca ficamos sabendo o que acontece após o "the end". Mesmo que os vilões morram queimados, de acidentes automobilísticos ou baleados pela polícia, ainda acho que levam vantagem porque sempre tem uma morte instantânea sendo que os mocinhos sofrem por longos anos. Ah, tem aqueles vilões que enlouquecem no fim da trama também, mas sempre são internados em clínicas de luxo e recebem todo amor e apoio da família.
*Empolga²* ééé... quero ser Serial Killer!!!
Devaneios á parte, eu acho que a mídia tende a influenciar o telespectador de forma com que esse acredite que ser bonzinho é muito chato e monótono, enquanto os vilões sempre tem uma vida "fervida", cheia de cenas emocionantes, vivem cheios de dinheiro, moram em lindas mansões, ficam com os personagens mais bonitos, estão sempre lindos e impecáveis, freqüentam as festas mais badaladas, os bonzinhos passam o tempo todo chorando, sofrendo calúnias, sendo vítimas de injustiças e fazendo o diabo a quatro pra conseguir sobreviver.
Bem, está mais do que justificado, agora se vierem me chamar de má, implacável, sem coração, insensível, inescrupulosa e todos os outros adjetivos de bad people, já sabem que vivi desde a infância construindo um conceito de que a galerinha do mal sempre leva a melhor!
Ass: Ana Laura Barreto Pessoa Moraes de Montenegro e Bracho (?)
HA-HA-HA-HA-HA (risada demoníaca)
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P.S - Trilha sonora inspirada no tema musical da vilã global mais feliz do século!