quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Dúvida, dúvida...²

REFLETE:
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Definitivamente preciso parar de ler currículo lattes, de entrar em sites que vendem livros, parar de ler notícias na web, de observar os malditos números, enfim: abaixo à informação digital! Eu sempre vou relacionando uma coisa com a outra e isso super me causa uma revolta de revolucionária, porque tipos:
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INDAGA:

Até quando jogadores de futebol semi-alfabetizados-que-não-sabem-cantar-o-hino-nacional vão faturar em um mês o que uma pessoa com pós-doutorado levaria anos para ganhar?
Até quando a única leitura do brasileiro será a de best sellers? Seria Sidney Sheldon mais cultura que José de Alencar?
Por que brasileiros ficam orgulhosos quando algum estrangeiro diz conhecer o Ronaldo? O ideal não seria conhecerem Machado de Assis? Será que os gringos também sabem qual é a capital do Brasil?
Desde quando Paulo Coelho é literatura? As cadeiras da ABL estão à venda?
Por que o pobre estuda a vida inteira na porra da escola pública pra depois prestar vestibular e perder a vaga para um indivíduo que sempre teve dinheiro pra estudar em escolas particulares e por isso, obviamente, está melhor preparado? Ok, quem tem grana pode estudar de graça, mas e quem não tem? Vai pagar como?
Os negros são intelectualmente menos favorecidos? Então por que existem as cotas? Acaso não existem também pessoas brancas, pobres e sem oportunidade? Oi?
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IRONIZA:
(como ironia não é de Deus, eu risquei)
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Quando é que as pessoas vão escrever artigos baseados em textos meus?
Quando é que eu vou ganhar minha cadeira ao lado da do Machado na Academia?
Quando é que eu vou me aposentar e viver às custas do governo?
Quando é que eu vou ser a porra de livre-docente-fodona-e-bem-remunerada?
Quando é que eu vou ver minha referência na bibliografia do trabalho de alguém? :

RODRIGUES. Ana Laura. Como superei um governante analfabeto, as sub-celebridades, baixa remuneração e me tornei um referencial no mundo acadêmico. 36ª ed. São Paulo: Falidos, 2087.
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APELA:
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E se eu me inscrever no BBB9? Vão me reconhecer mais rápido? É mais fácil ser reconhecido pela capacidade intelectual ou pela vontade de aparecer? Por que um acadêmico ou um literato demoram uma vida inteira pra serem reconhecidos quando uma sub-celebridade o consegue em cinco minutos?

Einh? einh? Dúvida, dúvida!

.... Saco!
CONCLUI:
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Sem querer causar frisson geral, mas é nessas horas que eu perco todo meu patriotismo e penso que seria melhor ter nascido na Europa (ohhhh, jura?). Ou ainda em qualquer outro lugar do mundo que seja lembrado por outro fator além de 11 homens que são milionários por correrem atrás de uma bola ou de um bando de putas e safados pessoas que gastam horrores todos os anos em fantasias e carros alegóricos para aparecem durante quatro dias, superfelizes, pelados e sambando.
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DESAFIA:
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O que que é? Você não concorda? Então vá à livraria mais próxima da sua casa e faça a seguinte pergunta ao atendente:
- Qual livro você vende mais? O revolucionário "Doce veneno do escorpião" da Bruna Surfistinha ou o clássico "Édipo Rei" de Sófocles?
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*Se quiser, pode ainda substituir a segunda opção - caso o atendente não tenha (ou não conheça) Édipo Rei - por qualquer outro clássico literário*.
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DEBOCHA:
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Façam já suas apostas!
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E-mails notificando processo judicial por ofensa e subestimação pública ao orgulho patriota para: analaura0401@yahoo.com.br

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Da série: Histórias de consultório

Tarde de 2ª feira, a secretária aliviando o tédio no msn, quando ouve um som de uma voz débil vindo da rua:

"Índia seus cabelos nos ombros caídos, negros como a noite que não tem luaaar"

Pensa: Jesus me chicoteia, queria estar errada mas tenho CER-TE-ZA, certezinha, que essa pessoa entrará aqui.

(a tal pessoa realmente entra e se dirige a um representante que estava aguardando tranqüilamente o momento de ser atendido)

- Uuuu sssiinnhorrr num teem um trooocado aê nauum moço?

- Não, estou sem nenhum dinheiro!

(A secretária continua digitando, agora frenéticamente, fingindo naturalidade mas convicta de que não escaparia.)

- Ôoo mooçaa, cê pudia me dar um dinhee... *pausa espantosa* ... Moooça duu céééu, olha aquiii pra mim?

**MEDO*** (a secretária olha pro bêbado que tinha um olho aberto e o outro fechado, com cuspe nas mãos e um aspecto asqueroso.)

- Mooçaa du céu, é você!!!! (grita) GEEEENTE, É ELA!!! NÃO ACREDITO, É ELA, É ELA!!! (e se põe a pular e fazer uma dança estranha dentro da recepção).

- Eu?? (começa a sibilar)... eu o quê moço? (enquanto afastava a cadeira lentamente)

- GENTE, MOÇA, CASA COMIGO?

- Que que o sr tá falando? (corre pra perto do representante)

- GENTE, É ELA!!!

O representante se irrita, levanta e grita com o etílico-dependente:

- É ela quem moço? O senhor pode ir embora? Pára de perturbar a menina...

- MOÇO du céu, mas eu não possooo... Cê num tá vendo quem é ela? É ELA!!!

- ELA QUEM? (diz o representante perdendo a paciência)

- Ora moço, o sinhor só num percebe si for cego, É ELA, a Stephanie do Mônaco!!!


(?)

Gente, tá certo que meio que foi um elogio, porque apesar de ela nem ser bonita, é milionária, tem toda finesse do mundo e é da realeza né, mas pelamor, veja o que o álcool faz com as pessoas?

Fiquei me imaginando bêbada vendo um mendigo e dizendo que encontrei o Gianecchine. *MEDO*

Nunca mais quero ficar bêbada. Parei. Juro!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Vida nova.

Sabe, é uma tremenda filha da putagem. Mudança é uma coisa que não vem de Deus. Ou, caetaneando, não. Uma vez, eu ouvi um pastor dizendo que toda mudança (pra melhor) é gerada pelo (ou gera) desconforto, e quer saber? Ele tava muito é certo. Mas eu cansei, inclusive já falei pro meu pai que não volto mais lá e tudo (na igreja) porque aquilo me cansa absurdamente, é a coisa mais previsível do mundo e eu detesto coisas previsíveis. Só que Deus é bom, e eu gosto dele apesar de todo o medo e da vergonha que eu ainda tenho.
Eu fiquei parada olhando pros cômodos vazios daquela casa nova e toda bonitinha e então pensei que sou mesmo uma frígida insensível. Eu nem olhei pra trás quando saí da casa velha, não tive a mínima consideração e só me dei conta de que nunca mais poria os pés naquele lugar depois que já estava bem longe de lá. Mentira, eu me lembrei disso enquanto descia as escadas pela última vez mas eu não quis olhar pra trás e nem demonstrar nenhum apreço por aquele lugar e nem por aquelas pessoas. Elas também não gostam de mim.
Enquanto eu desencaixotava as minhas coisas fui vendo o quanto mudei. Eu era uma tremenda idiota há exatamente 24 horas, meu Deus!
Eu me deitei em um colchão na sala - porque o sofá ainda não chegou- e olhei através do vidro do jardim de inverno pra aquele céu que era o mais azul que eu já tinha visto na vida. Eu detesto azul, sobretudo o azul celeste mas no céu ele fica lindo, só no céu. Pensava em milhões de coisas e a única coisa que eu sentia era tédio. Eu queria mesmo que tudo aquilo fosse completamente verdade, a coisa da mudança, eu queria que fosse completa. Pela primeira vez na vida eu queria abrir mão de tudo. Do meu passado e das pessoas que eram importantes pra mim na época em que eu era uma tremenda idiota. Não, eu não queria falar com ninguém.
Impressionante como a CTBC anda eficiente. Em menos de meia hora após ser feito o pedido de transferência da linha telefônica e da internet havia um técnico na sala da minha casa instalando o telefone. Eu pedi baixinho a Deus que ele não pudesse instalar a internet ainda. E Ele me ouviu.
Eu queria me desocupar daquilo, eu pensei tanto em jogar todos aqueles escritos no lixo, junto com o meu celular, o ship e tudo, porque já que vou ganhar um novo queria também mudar de número. Mudar é sempre bom... E eu não vou passar meu número pra ninguém. Pra ninguém!
Verde é uma cor tão bonita. Eu quis o sofá verde, verde oliva. Contrastou perfeitamente com as paredes pêssego e com o barrado cor-de-laranja que tem antes do teto. Achei muito feliz.
A mesa da cozinha eu pedi verde-limão. Eu queria coisas felizes, apesar de não ser esse o sentimento total que me ocupava. Olhar pra cozinha e sentir felicidade forçada pelas cores vivas e fluorescentes é sempre bom.
Aquele piso branco me incomodava, dá pra ver qualquer sujeira, por mais mínima que seja. Tanta transparência me era desconfortável naquela hora. E todos brigavam comigo porque enquanto estava tudo uma bagunça eu me preocupava em ajustar os quadros na parede. Acho que os detalhes são importantes, oras.
Mamãe mandou eu comprar um armário pra colocar minhas agendas e papéis avulsos, disse que eu era uma nostálgica-apegada e que devia jogar aquilo fora porque tanto peso estava desalinhando as gavetas do guarda-roupas. Eu comprei o armário.
Ninguém me falou nada, mas eu sentia que estavam todos pensando que eu queria fugir dali. Eu nunca gostei de bagunça, muito menos de arrumá-la, mas estava estranhamente confortável no meio do desconforto daquela mudança. "Preciso mudar", pensava.

"Se esse dia passar logo, amanhã vai ser diferente, porque eu já não sou mais a mesma, nem moro mais no mesmo endereço!".

Eu já decorei o endereço novo. Estranhamente eu decorei depois de lê-lo pela primeira vez. Achava que só tinha facilidade para decorar músicas depois de ouví-las pela primeira vez, mas não, eu decorei o endereço, só não sabia o CEP, mas tanto faz, o importante era a minha sede pela mudança.

"-Vamos brincar de vida? Você cuida da sua e eu cuido da minha! O que fode é a falta de confiança, sabe? Simplesmente me canso, me canso de tudo, e você já sabia desde o início que eu iria ficar entediada, não sabia? Pois é, a hora é agora, o dia é hoje! Fiquei. E sabe por que? Porque simplesmente eu posso mudar, posso conhecer outras pessoas, posso acreditar nelas também, e quando eu me cansar delas, eu mudo outra vez, conheço outras e outras. Porque no final, baby, ninguém é de ninguém e eu não sou e nunca serei absurdamente previsível: pasme!"

No dia anterior, ao chegar óbviamente atrasada na faculdade, fazia, apressada, uma leitura dinâmica da correção do artigo e conversava com uma amiga sobre a orientação do mesmo, enquanto ouvia, perifericamente, a professora dizendo:

"A gente só sabe de uma pessoa até onde ela quer nos mostrar, e só conhecemos alguém completamente depois que esse alguém morre. Todos podem nos surpreeender o tempo todo até o momento da morte. Isso é o que difere uma pessoa de um personagem, porque quando acabamos de ler um livro, conhecemos totalmente a personagem, mas na vida, não conhecemos ninguém completamente. Esse é um grande atrativo da literatura, pois nos dá a ilusão de podermos conhecer alguém por inteiro."

"Cara, eu amo literatura! - pensei sorrindo antes de sair da sala- e sabe? Que me perdoem Joana, Virgínia, Ana, Lóri, GH, Martin, Ângela e afins, eu gosto mesmo é da Macabéa."

Enfim, hoje quando acordei, percebi que estava em casa e que tinha uma família que era incrívelmente a mesma, apesar das mudanças. E apesar de tudo mudar, eles continuavam os mesmos, com os mesmos puta-defeitos de sempre. E que me amavam, apesar dos meus puta-defeitos. E que eu os amo, apesar de terem os puta-defeitos também e de poderem me decepcionar a qualquer hora. E o amor é esse. Finalmente, eu estou feliz.


P.S - Acho que esse é o texto mais sub(jetivo)versivo que eu devo ter escrito na vida.



Espaço reservado para as suas (possíveis) interpretações.


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dúvida, dúvida...

Após uma notícia que tive ontem e uma árdua reflexão...
Tentei me calar, mas se tem uma coisa que eu não consigo é ficar engasgada!

Lá vai:

Alguém sabe se eu tenho algum leitor (sexo masculino) h-e-t-e-r-o-s-s-e-x-u-a-l?
Mas...E amigo? Eu tenho algum amigo h-o-m-e-m?
E por obséquio, cadê os m-a-c-h-o-s do mundo?
Por acaso, ainda existem h-é-t-e-r-o-s? Se existem, pra onde foram?

WORLD GAY!

Choquei!


Obrigada pela atenção.


P.S- Esse é um post em que bloquearei os comentários porque tenho muito medo da resposta.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

(?)

Cara, hoje vou virar travesti. Me sinto tão feliz! hahaha. Me vejo até cantando empolgada com minhas amigas-montadas na porta da Victórias Club (vulgo, boate de siglas): "It's Raining Men! Hallelujah!"...
Sabe, é mentira, é que eu vou colocar uns cílios postiços lindos e duráveis. Reza a lenda que duram três meses e tal. Eu duvido, mas vou tentar. Sempre me encantou cílios longos e volumosos, mas pra variar, não fui agraciada pelos céus, acho que cheguei atrasada na distribuição de cílios, deve ser... Eu acho que na distribuição dos céus deveria vigorar uma política socialista porque é tanta desigualdade, sem noção! (momento indignei-me com a administração celeste)
Ontem eu estava super felizinha e saltitante, assim, de graça e tudo. Fiz até uns templates bonitinhos para minhas primas neo-blogueiras, ai, que amor que eu sou!

*Pausa para assunto relâmpago*

Cara, entrou aqui no consultório agora o Fernando, representante de um laboratório fodão e tal. Meu, mór tipinho de go go boy. Tipow, cara de Ken-da-Barbie, sabe? E quando ele fala tem uma voz serena e vibrante que deixa a gente com um sorriso débil e quase imperceptível, pois sempre que chega, faz aquele olhar "me segura, vou te hipnotizar" (marketing-on) e diz: "Olá Aninha, vim te ver". Meu, seria muito mais proveitoso se ele dissesse: "Olá Ana Laura, vim te dar uns pegas ver o doutor" porque nooooossa, não tô podendo com essas coisas é tão mais prático. hahahaha!
É mentira que eu me derreta toda por esses trogloditas-capitalistas porque, na verdade, eu odeio esses tipinhos vendidos com plaquinhas: "meu-sorriso-vale-ouro", "minha-gentileza-tem-preço" ou "bem-pago-por-ser-bonito", sabe? Brochante, quase um michê. E tenho raiva dele também porque certa vez, ele foi me cumprimentar e (eu achando que ia só apertar minha mão) o cara me dá um beijo estalado e tal, e, não é que eu não tenha gostado (quem não conhece que compre) ou faça o tipo "não dei liberdade para tal" (até porque se tem alguém que paga pra ele conquistar as secretárias tenho mais é que aproveitar, oras) até tô acostumada porque 80% dos representantes tem esses hábitos amistosos, alguns quase te beijam na boca, te convidam pra almoçar, perguntam sobre a sua vida pessoal e tudo, mas né? É que ele sempre cumprimentava com apertos-de-mão (uma pena) e então, me pegou de surpresa assim, e eu fiquei com mór cara de débil mental e comecei a sibilar super. Hahahaha, que horror, meu Deus, que horror!
Bem, deixa o Fernando pra lá porque ele me afeta advanced-ever.

Onde é que eu estava mesmo? Ah, então, estava super feliz ontem até que me contaram que vou mudar de residência. O daddy quis uma casa maior, terei meu tão sonhado quarto individual e tudo, mas gente, me deu um pesar... Não pelos vizinhos que me odeiam, mas é que cara, fazem dez anos que moro no mesmo lugar, tem todo um sentimento envolvido, meus amigos que possam ir me visitar, meus antigos affairs que possam resolver aparecer DONADA e tal. Enfim, terei que superar.

Ai, como eu tô aleatória hoje... Vou parar, tenho um super fichamento pra fazer e insisto em ficar aqui escrevendo sobre travestis, representantes de laboratórios e mudança de endereço. O que a preguiça de um texto da gramática descritiva sobre advérbios não faz com a gente einh... Hahahahaha!

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Update: Ai, coloquei os tais cílios ontem. Ó, não é de Deus, não é de Deus!
Cara, nunca senti tanto desconforto na vida! Assim, primeiro pinicava super por causa da cola que tem cheiro de Super Bonder mas é preta, depois sujava o olho inteiro de preto e tinha que limpar com um removedor que parecia ser composto de caldo de pimenta, tíner e enxofre direto do inferno porque ardia e queimava horrores! Chorei super, e não saía a cola preta da parte de baixo dos meus olhos, um filme de terror! Sem contar a hora que grudou as duas pálpebras e a moça tentando abrir meu olho que não abria por nada! Genteeeeee, surtei!
Mas ó, ficou bonito, viu? Bem, bonito é pura modéstia minha... Ficou foi lindo, um arraso, sublime, os cílios perfeitos e tal. Me sinto quase uma "merricana" legítima (ou seria Isabelita dos Patins?), enfim...
Ai, mas ainda tô muito traumatizada pra dizer se vale á pena ou não. Acho que a prova virá com o tempo, ou seja, se valeu, com certeza eu vou por outra vez né? Esperemos para ver...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Por que tanto amor?


"Clarice


veio de um mistério, partiu para outro.


Ficamos sem saber a essência do mistério.


Ou o mistério não era essencial.


Essencial era Clarice viajando nele.




Era Clarice bulindo no fundo mais fundo, onde a palavra parece encontrar sua razão de ser, e retratar o homem. O que Clarice disse, o que Clarice viveu para nós em forma de história, em forma de sonho de história, em forma de sonho de sonho de história (no meio havia uma barata ou um anjo?) não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice, que usamos de empréstimo, ela é dona de tudo.
Clarice não foi um lugar comum. Carteira de identidade, retrato. De Chirico a pintou? Pois sim.
O mais puro retrato de Clarice só se pode encontrá-lo atrás da nuvem que o avião cortou, não se percebe mais. De Clarice guardamos gestos. Gestos, tentativas de Clarice sair de Clarice para ser igual a nós todos em cortesia, cuidados materiais.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo. Dentro dela o que havia de salões, de escadarias, de tetos fosforescente e longas estepes e zimbórios e pontes do Recife em brumas envoltas formava um país, o país onde Clarice vivia, só e ardente, construindo fábulas.
Não podíamos reter Clarice em nosso chão salpicado de compromissos.
Os papéis, os cumprimentos falavam agora em edições, possíveis coquetéis à beira do abismo. Levitando acima do abismo Clarice riscavaum sulco rubro e cinza no ar e fascinava-nos.
Fascinava-nos apenas. Deixamos para compreendê-la mais tarde.

Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice."

Carlos Drummond de Andrade
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É claro que nunca vou saber me expressar tão lindamente quanto fez Drummond nesta homenagem à Clarice. Eu só sei que hoje eu acordei com saudades dela...

Como pode alguém sentir saudades de quem nunca esteve por perto? E... Será que não?

Outro dia fui surpreendida por uma pergunta de um amigo que dizia: "Se você pudesse ressucitar alguém, quem seria?", acho que minha resposta foi mais surpreendente do que a pergunta em si, porque sem titubear respondi: "Clarice Lispector". "Mas... E seu avô?"- foi o que me disse por saber o quanto a falta dele é significante para mim- mas mesmo que a resposta coerente fosse outra, eu sabia, no fundo do meu âmago, que se me dessem oportunidade para tal feito, seria Clarice quem eu traria de volta à vida. O motivo talvez seja explicado pelo fato de que meu avô viveu comigo, por mais que me faça falta eu tive a oportunidade de estar com ele, aprendi o que ele tinha a me ensinar e o que restou foi só saudade, saudade boa, mas se tem alguma coisa que acho injusta nesse mundo, é não ter podido estar frente-á-frente com Clarice. Suas palavras ficaram, o que faz dela imortal, mas não me conformo de não ter sido contemporânea a ela.

Sinceramente eu não sei se vou viver para conseguir entender qual é minha ligação com essa mulher. De onde vêm tanta sintonia? O que nela está tão intrínsecamente ligado a mim a ponto que suas palavras possam sondar e perscrutar minha alma? Como a imagem dela pode me causar arrepios e uma simples palavra escrita por ela pode me fazer estremecer de alegria ou me debulhar em lágrimas?
É certo que Clarice foi, é, e sempre será um mistério para todos, mas sobretudo é para mim que nasci dez anos após a sua morte e sinto como se ela vivesse perto de mim, como se suas palavras tivessem sido escritas intencionalmente para cada momento da minha vida. Será muita pretensão da minha parte? Acho que não! É, absolutamente.

Conheço pessoas que não gostam do estilo dela, pra mim soa absurdo, mas como ela mesma disse, seu contato com as pessoas é assim: "ou toca, ou não toca". Mas como é que alguém pode não ser tocado, meu Deus?

É realmente um jogo de extremos, pois os que são tocados se tornam tão fanáticos que chegam a beirar a idolatria. Cazuza foi um dos maiores admiradores de Clarice, leu Água Viva cento e onze vezes. E eu vejo pessoas fascinadas, espalhando a semente clariceana por toda parte, como a Dani, com seu lindo blog, e tantos outros por aí. Para nós, apaixonados, é muito difícil imaginar a resposta da pergunta que me ocupa a mente:

Como não amar Clarice?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

07/08/08

"Foram os papéis: antigos e cruéis. Aqueles restos de uma história passada e inconclusa; letras de músicas, sorrisos, perfumes e mãos, o coração que batia se enganando de emoção. Pensava que sim, jurava que não, e os olhos brilhavam cheios de compreensão, se voltavam atentos diante do riso e da dor. Nuances daquilo que caracteriza o amor."

De repente, tudo isso passou pela minha cabeça sem nenhuma intenção poética nem estrutural, depois de folhear papéis, papéis antigos que me fizeram sentir um aperto enorme no coração. - Era mentira minha também, é que eu não queria me expor tanto assim...

Se de repente as coisas mudassem, se eu fosse diferente... Mas nada disso faria mais sentido, acho melhor que fique assim.
Tanto sofrimento, eu deveria esquecer os momentos bons. É, agora está tudo bem. Parece que eu ouvi isso ontem, sim.

(...)

Como eu posso dizer? Eu sei que você não se sente bem agora. Juro por Deus, não era isso que eu queria...


Ontem eu encontrei isso escrito em um papel. Meu susto ao ler foi enorme. Não pelo susto que as palavras em si me causavam mas o susto de tudo estar escrito com a minha letra. Eu sempre vivo me assustando com esses escritos que eu sempre deixo jogados no meio de qualquer caderno. Pago caro pela minha compulsão por escrever.
Mas quando foi que eu escrevi essas coisas? Acredito que fazem alguns meses. Três ou quatro, não sei. Mas que causa me motivou a tal ato? Já nem me lembro.
Hoje é dia sete de agosto de dois mil e oito. Oito anos... No dia sete de agosto do ano dois mil algo mudou a minha vida.
Só queria saber como algo que mudou tanto a minha vida há oito anos atrás pode ser tão insignificante hoje. Isso me faz desacreditar de todo o resto.
Sabe? Por mais que eu goste de você hoje, meu bem, não se iluda. Eu sou uma metamorfose ambulante.
Mas... Eu tinha que ser fiel, não era eu que acreditava piamente no que eu sentia? Se eu acreditava tanto e hoje não acredito mais, como posso exigir que as pessoas também acreditem no que eu sinto?
Eu tenho medo de mim e do meu silêncio. Tudo que eu grito hoje, amanhã eu silencio. Tudo que nasce hoje morre depois de algum tempo. Mas ainda bem que morre...

Descobri que não importa mais. Nem quero saber as causas. O que acaba, acaba. Como tudo que nasce, morre. Talvez eu carregue pra sempre a tal síndrome de Clementine: "Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando pela minha paz de espírito... Não me encarregue da sua! Não sou perfeita... (...) Eu vou ficar entediada e me sentir presa... Pois é isso que acontece comigo..."

Outro dia encontrei um arquivo do word. Sim, eu escrevo também sem pretensão de audiência:

Por que custa tanto escrever quando a verdade é desconhecida?
Eu conheço tantas verdades...
O medo agora é que através das palavras eu desvende meu mistério de vida ou descubra que não há mistério algum? Protesto! Sempre há mistérios. O problema é fazer com que eu viva sempre motivada a desvendar o que nem sempre é tão interessante.
E por que dar tantas voltas quando se sabe exatamente onde almeja chegar? Eu quero desvendar um mistério, e não desvendo a você que me lê, desvendo a mim mesma que não suporto mais não saber de tudo.
É, a verdade é uma só: não existia nenhum modo de não acontecer.
Eu, que sempre admirei tudo o que não entendo, tudo que não tenho coragem de fazer. Ah, o que dizer daquele ser? Olhei para ele pela primeira vez e sabia que havia sintonia, é verdade que o modo de sintonia existente era desconhecido, mas eu sabia. Tanto que não me permitia olhar tanto naqueles olhos porque aquele olhar era explícito demais, eu tinha medo de que eles me revelassem aquilo que eu queria que fosse mentira. Desde sempre, mesmo inconsciente aquilo me desconsertava. E eu não podia ver dentro daqueles olhos, não podia enxergar o mistério que havia por detrás deles e que eu, posteriormente descobriria, mas eu sempre soube que aqueles eram olhos de quem guardava em si uma verdade secreta. É verdade que não se tratava apenas de uma verdade.. eram várias... verdades que eu não deveria saber, mas eu queria.
E como não se aproximar de quem é do tamanho do seu ideal? (...)



Dispenso comentários, acredito que ninguém vai entender tanta coisa misturada. É que eu precisava juntar tudo pra dissolver em nada! E quer saber mesmo? Vou parar. Isso tudo não faz mais o menor sentido pra mim.

"A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos
Sem virar carinho
Guardar lá dentro
Amor não impede
Que ele empedre
Mesmo crendo-se infinito
Tornar um amor real
É expulsá-lo de você
Prá que ele possa ser
De alguém...
Somos se pudermos ser
Ainda!
Fomos donos do que hoje
Não há mais
Houve o que houve
E o que escondem em vão
Os pensamentos
Que preferem calar
Se não!
Irá nos ferir
Não!
Mas que não quer dizer
Tchau!
Não quer dizer
Tchau!
Não, não, não, não!"
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Nando Reis - "Quem vai dizer tchau?"