segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Pronto, falei!

Não é questão de rebeldia nem de resistência ao sistema, mas a verdade é que não sou a favor de mudanças não-democráticas. Sim, estou falando sobre a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa que, infelizmente, vigorou em nosso país.
Confesso que adiei o máximo que pude manifestar minha opinião, inclusive consultei o guia da reforma ortográfica somente na semana passada, mas como eu curso Letras, as pessoas sempre me perguntam qual a minha posição diante disso eu não tenho como ficar alheia ao que está acontecendo com o meu objeto de trabalho, vulgo minha minha adorada língua materna.
Quando entrei na faculdade, tinha em mente que aprenderia todas as regras gramaticais e que seria uma ditadora das mesmas, o que para minha grande surpresa foi completamente abolido logo na minha primeira aula de linguística. Todas as minhas professoras são adeptas de uma postura sociolinguista, então aprendi que a língua não é um sistema autônomo, não pode ser prescrita e descobri que a ela é viva, se modifica e que está diretamente ligada à sociedade.
No começo foi um grande impacto, muito complicado me livrar do "encosto de Pasquale" e me desfazer de toda aquela bagagem normativa que me foi imposta durante toda minha formação escolar. Só quando me aprofundei lendo "A língua de Eulália" para preparar um seminário, fui convencida de que a gramática normativa não é uma lei passível de ser seguida na oralidade, e que não é eficaz em todas as variações existentes na língua, muitas vezes, sendo incoerente e contrariando as próprias regras que impõe.
Talvez fossem necessários exemplos do que estou falando para que pessoas não-interadas no assunto pudessem ter uma noção mais clara, mas só estou me utilizando desses conceitos para estabeçecer a seguinte relação:

Sabemos que o objetivo da reforma ortográfica é a unificação da língua portuguesa, o que para mim é de uma incoerência quase cômica. Basta irmos a dois bairros de uma mesma cidade para percebermos as variações de entonação, rítmo e pronúncia da língua. De estado para estado a diferença se torna gritante. O que dizer do "tu" que só é usado em algumas regiões do norte e do sul do país? Deverá também ser abolido para a unificação da língua? Ou deverá ser adotado por todos nós, em substituição do "você" já que a segunda pessoa do singular é mesmo o "tu"? Difícil, não?
A dificuldade é explícita: se a variação de dialetos é claramente percebida entre dois BAIRROS de uma mesma cidade, como poderá ser eliminada entre PAÍSES com um oceano inteiro de diferenças como Brasil e Portugal? Isso pra nem falar na África...

Quem foi que disse que o português de Portugal é mais puro e mais correto? Ninguém é dono da língua, não podemos regulá-la sob tratado! As variações africanas, brasileiras e portuguesas são dígnas e válidas e possuem a mesma liberdade para crescer e desenvolver-se dentro de cada cultura e das possibilidades de cada país. Tem a ver com a política? Vamos ser mais respeitados com uma linguagem uniforme? Mas a língua inglesa não é a grande referência de idioma respeitado universalmente? Por que então nela mesmo podemos encontrar diferenças? Não existe inglês britânico? E o espanhol? Não está sendo tão respeitado e estudado no mundo todo? Mesmo assim temos tantos dialetos oriundos dentro da língua espanhola (Gallego, Basco, Madrileño, Andalúz, e Catalãn) que alguns destes, são extremamente diferentes uns dos outros, a ponto de os falantes não se entenderem entre si!
E por que no Brasil tinha que ser diferente? Isso só faz confirmar a piada universal de que português é burro e que brasileiro é mesquinho...
Eu acho de extrema ignorância que os gramáticos tradicionais pensem ser possível eliminar as diferenças dialetais.
Deixo claro que sou a favor de reformas e de mudanças, principalmente no âmbito gramatical, mas essas mudanças que ocorreram na nossa língua materna considero totalmente sem noção, assim como o nosso excelentíssimo presidente da república semi-analfabeto. Por que então não fazem reformas considerando as variantes linguísticas que são usadas na oralidade como a redução das proparoxítonas em paroxítonas, o ieísmo, o rotacismo e outras variações que já são tão naturais e espontâneas do falante?

Talvez você, leitor, já esteja indignado em ter que se enquadrar ao novo padrão, imagine eu que terei de ensiná-lo a jovens e crianças que já se consideram alfabetizados no padrão antigo.
Gostaria muito que alguém me explicasse o que eu vou dizer, caso um aluno me pergunte por que na palavra guitarra não se pronuncia a letra "u" e na palavra linguiça ele deve pronunciar, mesmo sem o trema e sem nenhuma acentuação que distingua a diferença? Qual é o seguimento lógico? Quais os parâmetros?

Sugiro que mudem o nome da gramática do português para "PORQUE SIM", pois essa será a única resposta que os professores poderão dar aos possíveis questionamentos.


P.S.: Não usei o trema porque, querendo ou não, terei que me adaptar.


"Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança da língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida. Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida."

.

Clarice Lispector.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Me dei o direito de entrar em recesso. Só do blog, claro! Impressionante como eu adoro escrever quando não há fatos a relatar, e quando tudo começa a ficar absurdamente incrível, eu perco o tesão de contar. Concluo: me acostumei a ter uma vidinha fodida e tediosa.

Poderia fazer um resumo, sem detalhar (moral a zelar, ok?), dizendo que bebi whisky e causei (causamos) na festa do João, que bebi tequila e causei (causamos) na festa do meu irmão, que bebi Piagentini e causei (causamos) na casa da Vê, que bebi Martini e causei na minha própria festa (causei paixões imediatistas, com direito a declarações e coraçõezinhos desenhados no ar), que bebi ASKOV (5,00) e causei (causamos) na festa do meu amigo Rafa (vulgo noite de terror no Play Center). Dezembro-Janeiro sempre são putas meses de acontecimentos extraordinários na minha vida. Fora o dia 24, 25 e o dia 31/12 que sempre são deprimentes. Eu poderia até dar aquela romanceada nisso, encontrando uma explicação mítica e espiritual pra essa "coincidência" intrigante - magia do natal, energia do ano-novo, meu mês de nascimento - mas prefiro ser mais realista e encarar a realidade bruta: férias -> festas -> bebidas -> acontecimentos. Fato!

Engraçado como a gente passa a maior parte do tempo esperando por certas coisas que, quando acontecem, perdem totalmente a graça. Semana passada foi assim. E eu me lembro muito bem: nove de dezembro de 2006 eu, bêbada, engasgando de tanto chorar, disse a ele que o amaria pelos séculos dos séculos, amém. Último beijo, desejos suicidas, etc. Rá! A vida me consola tanto com essas coisas...
Tava ele lá, cantando as mesmas músiquinhas ridículas, com os mesmos assuntos previsíveis, o mesmo sorriso débil e aquele ar de medíocridade que durante sete anos eu chamei de "mistério". IDIOTA! O melhor é pensar que dois anos depois ele resolveu aparecer na minha casa nova, que ele nem sabia onde era e se deu o trabalho de procurar. Sério, de tão desprezível que eu achei a cena, fiquei deprimida.

Fico pensando se todos os meus anseios de hoje serão ridicularizados por mim no futuro e super desanimo de querer coisas/pessoas. Prefiro que elas me queiram.

Enfim, fora meu grande problema com meus pais que querem me colocar numa prisão domiciliar alegando que sou a Maysa do século XXI (?), nunca me senti tão feliz e satisfeita com a minha vida. Sério. Acho que sou e estou exatamente como queria ser e estar.


Bem, esse post será suspenso, visto que, pelo que me consta, não estamos nem na metade do mês ainda. Agüeeenta coração! (sim, faço QUESTÃO do trema)


P.S.: A única coisa que me preocupa, é que comecei bebendo whisky, passando pelo meu adorado Martini, indo pra inconfundível tequila (josé cuervo), chegando ao Piagentini e, baixando ao extremo com ASKOV. Quero nem pensar na próxima cachaça que vai me embriagar. Hahahaha!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Papai Noel existe e eu sou a Xuxa!

Fim de ano, todo mundo ansioso pela espera de 2009, pensando no que a caixa preta, a incógnita do "ano novo" nos trará. Tá, até aí normal. Mais normal que isso é você procurar sites de astrologia e misticismo pra tentar desvendar esses mistérios. Hahaha, eu, sabendo que o seguro morreu de velho, antes de acreditar nas previsões 2009, resolvi bisbilhotar as de 2008 pra saber o quão verossímil foram.


Previsão Geral para 2008

Júpiter e Plutão podem surpreender desde o ponto de vista financeiro, no final de 2007, e em pouco tempo você poderá contar com o dinheiro necessário para iniciar um novo empreendimento.

No primeiro semestre o Capricorniano aprende e trata de se desprender de sua impulsividade. Depois de uma viagem, que mostrará o seu passado, você se verá obrigado a enfrentar o mundo por suas convicções, dessa forma, conseguirá obter o que quiser.
Terminará o ano mais confiante e atraente do que nunca.

Respira fundo e vamos lá:

Júpiter e Plutão podem surpreender desde o ponto de vista financeiro, no final de 2007, e em pouco tempo você poderá contar com o dinheiro necessário para iniciar um novo empreendimento.

Supresa no ponto de vista financeiro? Dinheiro para um novo empreendimento? Oi? Olha, não sei em que parte eu errei, mas certamente Júpter e Plutão não vão muito com a minha cara.
Esse ano começou tão estável quanto terminou. Dinheiro só pro básico e olhe lá.

No primeiro semestre o Capricorniano aprende e trata de se desprender de sua impulsividade.

Controle da impulsividade: não trabalhamos. Taí uma coisa que eu nunca consegui controlar. Esse ano, como sempre, eu sofri muito com isso e quebrei a cara várias vezes. No final a gente se estrepa mas tamos aí, prontos pra outra. Hahahaha.

Depois de uma viagem, que mostrará o seu passado, você se verá obrigado a enfrentar o mundo por suas convicções, dessa forma, conseguirá obter o que quiser.

Viagem? Deixa eu pensar... Basicamente foram três: fui duas vezes a São Paulo e uma a Ouro Preto. Primeira vez que fui a São Paulo foi pra fazer compras. Não sei se é só comigo mas na 25 de março não consegui refletir muito sobre o passado e nem sobre porraninhuma "olha o rapaa". Na segunda ída a capital fui visitar o Museu da Língua Portuguesa e ao teatro assistir Hamlet com Wagner Moura. Bem, lá na terra da garoa não fiz nenhuma descoberta sobre meu passado, a não ser que eu tenha sido a Carolina do Machado e ninguém tenha me avisado. Agora, se o horóscopo dissesse "futuro" eu iria ju-rar que tenho alguma chance com Wagner, porque porra, foi amor a primeira vista, mas enfim, se é sobre o passado eu não tenho nada a declarar.
Também passei um fim de semana em Ouro Preto e, a não ser que em outras vidas fui escrava nas minas de ouro ou assistente instrumentista do Aleijadinho, eu não sei o que isso tem a ver com meu passado. Bem, eu poderia ter descoberto que eu era a dona de todo aquele oooouuuuuro que tinha lá e isso poderia mudar a minha vida fazendo com que realmente eu conseguisse o que quisesse. Bem, mudaria a minha vida mesmo, mas há 500 anos, quando lá ainda TINHA ouro, mas como o ouro ACABOU, essa também não seria a resposta. Diante do que foi exposto eu realmente não sei o que pensar.

Terminará o ano mais confiante e atraente do que nunca.

Confiante eu afirmo que não, agora atraente? Se foi um elogio, só me resta agradecer.
.
.
.

Como diria Helô em Mulheres Apaixonadas: Aham, previsões astrológicas funcionam, papai Noel existe, e eu sou a Xuxa.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

... de como eu não tenho saco pra mais nada.

Não sei se é dezembro e o acúmulo de doze meses nas costas que pesa um pouco, mas eu ando com uma enorme preguiça de existir. De existir e de ter um blog, pra ser mais exata. Minha mente anda até que bem criativa mas acontece que a preguiça inviabiliza a ação. Mas antes que alguém comente "oh, que puta novidade", eu queria esclarecer que não fiz o tremendo esforço de loggar no blogger - o que me dá uma incomensurável preguiça - à toa, tava pensando em postar sobre o sistema penitenciário brasileiro mas, oi? deixa pra janeiro (e j-u-r-o que a rima foi involuntária). Aliás taí um mês que renova meu ânimo. Janeiro, ano novo, idade nova, vida nova.

E nessa tentativa de buscar novidades, depois da ensolação estou estreando uma nova cor, amanhã estrearei um cabelo novo, talvez, mês que vêm estrearei uma tatuagi, e estou caminhando (literalmente) para estrear uma nova forma física junto com o novo ano.


Ia retirar o que eu disse ali em cima "não fiz loggin à toa", mas resolvi fazer valer e já deixar uma lista de desejos para as pessoas que queiram me presentear no natal e/ou no meu aniversário, que é dia 04/01 pro Papai Noel:

- O romance "Perto do coração selvagem" da Clarice Lispector.
- O livro de contos "A via crucis do corpo" da Clarice também, que será tema do meu tcc.
- Um sapato de verniz vermelho com salto alto.
- Um estojo grande de maquiagem de 200 várias cores.
- A fotobiografia da Clarice Lispector por Nádia Battella Gotlib.
- O perfume Eternity, da Calvin Klein.
- Uma agenda 2009.
- Um vestido frente-única de zebrinha.
- Óculos de sol aviador bem grande com lentes castanho-claro.
- Roncari, L - "Literatura brasileira: dos primeiros cronistas aos últimos românticos".
- Bosi, A - "História concisa da literatura brasileira".
- Uma mala de viagem extra-grande.
- Pulseiras douradas. (porque eu percebi que fazem falta)
- Qualquer cd do The ting tings.
- O último cd da Amy Winehouse.

Quer me agradar e não tem dinheiro pra nada disso? Uma pena... Mas me dá uma garrafa de martini gelado e um canudinho pra ver. Té choro.
.
.
.

Ain, acho que é só. *Suspiro*... tomara Deus que caiba tudo no saco do bom velhinho. [/ironia] Hahahaha!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sintetizando.

Eu não vou dizer que dessa vez abandonei o blog porque tava ocupada porque é uma puta mentira. Já estou de férias da faculdade e meu tempo anda sobrando a ponto de eu fazer resuminho das minhas próximas ações numa caderneta (se eu reler daqui um mês me matarei de tanto rir). É, falta de tempo não é a desculpa da vez, mas pra ser mais honesta eu conto que estou com um profundo vazio mental. Pronto, é isso.
Se bem que minha cabecinha anda bem ativa para assuntos de fins maléficos, precisa ver... Daqui uns dias serei a legítima Darth Vader do século XXI. Oi? Não, eu não me orgulho disso.

Meus planos de postagem começaram sábado passado, dia quinze, quando eu me auto-difamei perante a turma da faculdade ad infinitum. Eu tava achando uma ma-ra-vi-lha terem demorado tanto pra organizarem uma festa com a nossa turma porque eu poderia me fazer passar por uma pessoa equilibrada e sóbria por mais tempo. Mas enfim, 1º churrasco e eu já fodi tudo. (falta de detalhes em função do trauma)

Depois eu comecei ficar inspiradjinha, chorar ouvindo música kitsch (lê-se sertaneja) e comecei a pesar em coisas bregas-sentimentalóides e literárias também. Daí eu me dei conta de que sou incapaz de criar um personagem. Sim, ainda não consigo dar a luz a um ser fictício. Puro egoísmo meu. Só enxergo meu umbigo, só sei falar de mim mesma, uma porra isso! (tinha planejado expor esse fato de uma maneira mais poética, mas enfim...)

Pensei também em falar do meu médico urologista por quem me apaixonei perdidamente. Mas não vale mais a pena. Já passou, já passou. (ou fica em stand by até o dia do retorno)

After, eu ia postar sobre meu feriadosinferno, aliás, feriado o escambau, eu trabalhei feito uma escrava (consciência negra, escravidão branca: hãm, hãm, entende?...) e minha família toda viajou, fiquei sozinha, etc, etc. Pra completar eu resolvi ir embora do trabalho pra casa a pé, e tipos, é muito longe. E eu colocaria a quilometragem exata aqui pra vocês verem o quanto é longe se eu não fosse uma pessoa totalmente sem noção de distância. Mas que era longe era...
Eu estava estressada e com vontade de andar, ODEIO ônibus, simplesmente evito ao máximo ter que usá-lo, então eu resolvi inovar. Mas não posso reclamar de tudo porque apareceu até um idiota me oferecendo carona e tals mas, meo, apesar do carro ser preto e bonito (também não tenho a mínima noção de marca de carro), ele tinha cara de um adolescente "especial" que roubou um carro a fim de fugir pro espaço sideral (nem queria rimar). Fiquei com möito medo e disse que tava fazendo caminhada, obrigada.


Aí eu resolvi fazer essa síntese mal elaborada, porcamente, desse jeito que vocês estão vendo. E eu me recuso a falar sobre os últimos três dias porque até pra mim tá sendo difícil de acreditar nas coisas que estão acontecendo, imagina vocês. Quando eu conseguir formar uma opinião eu volto, juro!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ME(ME) ENFO(R)QUE!

Entonces, com a indicação do meu amigo Gabriel e com a indignação de nós três: Biel, Mr. Marmelada e eu, resolvemos responder a esse MEME (tsc) e deixar as coisas, assim, subentendidas mesmo. Porque o motivo pelo qual nossa entrevista ainda não foi publicada, nunca ninguém saberá.


- Coloque seu nome completo, idade e profissão.
R. Meu nome é Ana Laura Rodrigues, tenho 21 anos, estou no 4º semestre do curso de Letras e trabalho como secretária em um consultório médico.

- Qual o nome e o endereço do seu blog?
R. O nome do blog é "Aleluias e Agonias de Ser..." Esse título não é invenção minha. Foi retirado de uma obra de Clarice Lispector, que é o meu grande ídolo literário. O endereço é http://aleluiaseagonias.blogspot.com/

- Além de você existe alguma pessoa que colabore com o blog? Colocar nome, idade e profissão.
R. Não, o blog é somente meu.

- Faz quanto tempo que você criou este blog?
R. Criei o blog no final de fevereiro, há oito meses.

- Como surgiu esta idéia?
R. Na verdade foi uma sugestão de um amigo e, como sempre gostei e senti necessidade de escrever, acatei e acabei me viciando na tal "blogosfera", deletando meu perfil no Orkut e me dedicando inteiramente a escrever.

- Qual é o perfil do seu blog? É mais informativo, humorado, literário...me defina ele.
R. Meu blog não tem um perfil muito definido. Falo de tudo que me interessa. Literatura é um dos assuntos que abordo freqüentemente, mas no geral, eu falo sobre episódios cotidianos, questiono valores e hábitos da sociedade e, quase sempre, levo o texto pro lado humorístico e irônico.

- Você tem idéia de quais pessoas frequentam o espaço que você criou? Exemplo: Faixa etária, homem ou mulher...
R. Olha, acredito que a maioria sejam também blogueiros variando entre homens e mulheres, na faixa etária de 17 a 30 anos, mas isso não é uma regra. Recebo comentários de escritores e jornalistas de 40 a 60 anos.

- Quais os principais fatos ou tópicos que são postados em seu blog?
R. Nos meus posts, como já disse, eu falo sobre o que me interessa. Geralmente seleciono episódios interessantes e engraçados que acontecem comigo, coisas do cotidiano que me chamaram a atenção, critico atitudes que desaprovo, enfim, procuro fazer dele um espaço mais descontraído onde eu possa escrever com liberdade, sem estruturalismo, com linguagem usual, para fugir do molde da "obrigação", como na faculdade, onde só escrevo textos sérios como artigos científicos, resenhas e afins. No blog eu falo de coisas minhas, mas de um modo mais genérico, a fim de que o texto não seja egocêntrico, mas interativo, para que o leitor goste e também se identifique.

- As atualizações são feitas com qual periodicidade?
R. Minha necessidade de escrever é grande, mas a freqüência varia de acordo com o meu momento. Às vezes não tenho tempo por causa do trabalho e da faculdade, ou não me sinto inspirada, outras vezes posto diariamente, mas as atualizações giram em torno de 3 posts semanais. Não gosto de postar mais que uma vez por dia porque isso tira um pouco a ênfase do texto. Por isso mantenho outros 2 blogs, totalmente anônimos, para textos extras, desabafar e/ou escrever coisas que o público do "Aleluias" não pudesse saber. hahaha!

- Qual o horário que você escreve no blog?
R. Geralmente eu escrevo no trabalho, no meu horário de almoço. Nos finais de semana escrevo à noite, em casa.

- Você recebe a colaboração ou aceita que outras pessoas publiquem artigos ou manifestem opiniões dentro deste seu espaço?
R. Meu blog é aberto a comentários e lá as pessoas ficam à vontade para aprovarem ou desaprovarem o que eu escrevo, expondo suas opiniões como desejarem.

- Qual é o objetivo do seu blog?
R. Meu maior objetivo é escrever. A possibilidade de poder me expressar livremente é o que mais me encanta. Os leitores são só uma conseqüência, mas não vou dizer que escrevo despretenciosamente porque se fosse assim, o faria no word e arquivaria no meu computador, mas a verdade é que sou eu a pessoa mais atingida pelo que eu escrevo. Os que me lêem me encontraram por acaso, não costumo divulgar meu blog até porque se pessoas muito próximas de mim, como a minha família, começarem a acessar, faria com que eu perdesse um pouco a minha liberdade e espontaneidade ao me expressar.

- Até hoje qual o post que mais foi comentado?
R. Que eu me lembre, foi um intitulado "Galerinha do Mal" no qual eu falava sobre a ilusão que a mídia constrói sobre os vilões. Soube que esse texto foi utilizado em uma prova (?) da Guarda Mirim de Franca, o que me surpreendeu muito, mas não cheguei a ter acesso a tal prova, só pensei "Meu, como assim deram meu texto para os meninos? Cheio de conselhos super do mal". Hahaha.

- Dentro deste blog existe algum tipo de publicidade que reverte algum valor financeiro para você? Caso sim, se puder mencione uma estimativa do valor arrecadado e como isto funciona?
R. Não, infelizmente, mas seria um prazer. hahaha!

- Por quê você indica que uma pessoa tenha um blog?
R. Acredito que as pessoas criem blogs pelo prazer de escrever e compartilhar idéias e experiências. Em um país onde a leitura e expressão literária é um hábito pouco peculiar, acho totalmente válido que as pessoas pratiquem sua expressividade através da escrita.

- Por quê você indica o seu blog?
R. Eu não indico, hahaha. As pessoas que acabam achando misteriosamente. Sei lá, podem se interessar porque a vida alheia sempre nos interessa, não é mesmo? Então meu blog acaba sendo interessante para quem gosta de ler histórias engraçadas, aprecia fragmentos literários, ou, de alguma forma, tem curiosidade de conhecer algo sobre a vida de uma jovem estudante realmente apaixonada pelas letras.

FIM
P.S.: Revista, devolve minhas fotas!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

[Desmistificação]

A vida é mesmo uma escrota-mór. Todos dançam a musiquinha irônica que ela, por capricho, decide tocar. Todos, menos eu, rebelde que sou fico aqui parada, me recusando ceder ao destino enquanto as pessoas alienadas me olham com desdém, pensando que estão levando alguma vantagem por se entregarem sem reservas a esse grande circo. Uma palhaçada sem fim...
As pessoas são importantes pra mim até certo ponto. Depois eu sempre opto por mim mesma. Meu amor próprio é a maior fraude do universo inteiro, mas meu orgulho sim é de verdade. E é mentira que eu não seja capaz de amar pra sempre mas, olhe só, eu nunca vou prometer isso a ninguém.
Um dia você se segurou em mim, nos meus cabelos, me apertando, como se tivesse medo de cair e, de repente, percebi que você tinha se esquecido de se soltar, então fiquei pensando se você realmente poderia ser um dos amores da minha vida.
É tão idiota pensar que um dia inevitavelmente todas as coisas serão esquecidas. Até aquelas pelas quais você chorou. Eu juro que não queria me esquecer de nada, de nenhuma daquelas tardes, meu bem. Mas vou.
Acho completamente espantosa a minha capacidade de despertar os sentimentos mais extremos nas pessoas - do amor ao ódio - todos tem algum sentimento por mim. É incrível mesmo porque eu não faço absolutamente nada pra isso. Nunca. Simplesmente vivo a minha vida, bem rotineira, quase que medíocre, não reparo nos rostos das pessoas e nem na maneira com que elas surgem e, apesar de sempre ter uma opinião formada sobre todas as coisas, eu gasto meu tempo com as palavras. Escrevendo palavras, lendo palavras, ouvindo palavras e chorando por alguns motivos [inexistentes] dos quais nunca, ninguém saberá.
A minha vida é tão simples, veja bem, não há mistério algum além dos que eu mesma construo em minha mente doentia. Eu invento alguns sentimentos pra chorar, alguns anseios pra guardar, algumas características bem estranhas pra ter e todos acabam, de alguma forma, acreditando em mim, no que eu invento ser. Mas, por Deus, eu juro, não há mistério nenhum!
Eu nunca te pedi nada. Só queria que você me desse a sua mão e me deixasse segurar em você, nos seus cabelos, que eu me esquecesse ali, tão perto, mesmo que você se lembrasse disso muito bem e pensasse que talvez eu pudesse ser um amor na sua vida. Veja, um. Eu nunca tive pretensões, você também não deveria ter tido. Você não soube gostar de mim, gostar assim, em doses homeopáticas. Pense: essa pessoa pode ser o amor da sua vida. Goste dela, não faça assim. Não tente ser pros outros o que eu fui pra você. Individualize cada sentimento seu, me odeie, mas mantenha a sua capacidade de amar. Não use por usar, não faça por fazer, não esteja por estar, não se contamine com a minha doença. Eu não quero estragar sua vida!

Eu não me interesso por nada que não me diz respeito. Enfatizo: eu não me interesso mesmo.

Hoje eu quero que você se segure em outros cabelos, aperte outro corpo, tenha medo de cair. E que você se esqueça completamente daquelas tardes, daquele meu jeito de segurar sua mão e, calada, dizendo milhares de coisas, te olhando de um modo infantil, enquanto você pensava saber quem realmente sou, com os olhos fixamente fincados nas suas pupilas, me enxergando em seus espelhos, sorrindo do modo mais desdenhoso, fingindo ser quem você esperava que eu fosse, enfiando meu sorriso na sua boca e dando gargalhadas dentro de você.


"... Mas o meu principal está sempre escondido.
Sou implícita.
E quando vou me explicar perco a úmida intimidade".